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Archive for novembro \21\UTC 2006

School Days

Mexo no caderno fingindo algum interesse na aula. A professora fala sobre tênias na barriga e comensalismo, coisas que não faço a menor questão de saber – e ignoro o fato de que biologia é uma das minhas piores matérias.
Olho pela janela e vejo a cidade. É grande aos meus olhos, mas pequena aos olhares do mundo. Um minúsculo caos, no meio dos bilhões.
Lembro de “Os Sonhadores” e por um momento acho que o filme está equivocado. Estou vendo a cidade de cima e, para mim, é bagunça do mesmo jeito, que parece que nunca vai acabar; talvez sossegue ao anoitecer – talvez nem isso.
Ao mesmo tempo que olho o caos, que para mim parece sem sentido, as pessoas trabalham freneticamente. Garis fazem melodias tristes com suas vassouras, padeiros suam na boca do forno e as secretárias dos homens engravatados atendem mil telefonemas – devo parabenizá-las, afinal sabem a função de cada botão (e são muitos).
Penso nisso por minúsculas frações de tempo e logo dou os ombros. Minha única preocupação agora deveriam ser as tais tênias na barriga…

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Pretérito Imperfeito

O que era perfeito demais não a agradava. Tanto que o ponteiro dos segundos dos relógios de sua casa estavam todos fora de sincronia, se os “tic-tac” fossem certinhos, para ela seriam ensurdecedores.
“A imperfeição dá um charme a qualquer coisa.” – era o que ela costumava dizer.
Numa sexta-feira qualquer resolveu molhar a garganta. O lugar escolhido foi o boteco da esquina, o de sempre, onde já era conhecida.
Sentou em uma mesa de canto, no fundo do bar. Pediu uma cerveja e acendeu um cigarro.
Meia hora depois um cara se aproximou com duas canecas de chopp e perguntou se podia se juntae à ela. (“Ora, não terei nada a perder mesmo…”)
De cara o pequeno a agradou. Usava um suéter cinza com uma camisa florida por baixo, calça justa e sapatos bicolores. A combinação era um desastre.
Engataram um assunto, trocaram papos e risadas¹. Tinham muito em comum. The Who, comida japonesa, a idade e o fato de estarem praticamente sozinhos no mundo.
Lá pelas tantas, depois da quinta garrafa de cerveja ele falou que precisava ir ao banheiro. Levantou-se e antes cochichou no seu ouvido:
“Não saia daqui, não! Você é perfeita.” – e sorriu.
Ela esperou ele se afastar e gritou para o garçom amigo “pendurar’ sua parte da conta, pegou a bolsa e, sem hesitar, foi embora.

¹ – Relespública

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Falta pouco

E eu que pensava que tudo ia bem.
Paro, penso, e a única coisa que me vem em mente é que o verão deixou saudades…

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