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Archive for julho \31\UTC 2009

Bittersweet home

Ontem postei um tweet falando que não gostava de Guarapuava e que algumas pessoas me consideravam babaca por isso. Motivada pela curiosidade de alguns e pelo tempinho que não postava aqui, resolvi contar o porquê dessa relação de amor e ódio.
Guarapuava é uma cidade no centro-oeste do Paraná, que possui cerca de 180.000 habitantes, um prefeito pai do deputado que matou dois em Curitiba e onde venta feito o diabo.
Apesar da quantidade até altinha de habitantes, Guarapuava é uma cidade pobre, o que faz com que o número de pessoas que “preenchem” as classes média e alta seja pequeno, então quase todos se conhecem (cheguei à essa conclusão com uma amiga dia desses). Minha família, felizmente (ou não), faz parte desse grupo de pessoas e, embora não sejamos tradicionais daqui nem nada (meu pai é de Londrina e maman é de Irati), até que meus pais são conhecidinhos.
Essa última informação somada com o fato de que todos se preocupam com a vida de todos por aqui (da pior maneira possível, claro) me levou a sempre fazer as coisas quase sempre com o cu na mão e com medo de que meus pais ficassem sabendo (o que aconteceu algumas vezes). Felizmente nunca precisei fazer muuuuuita coisa escondida deles, mas tive vários amigo(a)s que tomaram no cu bonito por isso (sendo que quase sempre a situação não era pra tanto).
Guarapuava é uma cidade de aparências. As pessoas vivem competindo (veja bem, eu estou falando do pessoal da “society”) pra ver quem é mais influente, quem tem o melhor carro, quem usa as melhores roupas, quem namora os caras mais ricos (nossa, se for alguém da colônia dos alemães então…) e por aí vai.
Além do mais, não há o que se fazer em Guarapuava. Se você não se importa de ir sempre aos mesmos lugares e ver sempre as mesmas caras, ótimo – eu me importo.
Outra coisa que me emputece é que a cidade tem tudo pra crescer (boa localização, gente precisando de emprego, universidade estadual etc), mas não cresce. A política por aqui é uma bosta.
Foi em Guarapuava que eu criei meus traumas, que conheci gente ruim pra mim (ruim de verdade), que eu sempre vi alguém tentando puxar o tapete dos meus pais (da minha mãe principalmente). Aqui eu conheci a falsidade na raiz. Também sofri por (tentar) ser autêntica, conhecendo desde pessoas que me julgavam muito mal a pessoas que tentavam me copiar a todo custo.
Claro que nem tudo é merda e eu passei bons momentos nessa cidadezinha gelada. Tive bons (nem todos) namorados, amigos, uma infância feliz. Foi aqui que meus pais fizeram a vida, onde eles continuam e, olhe, se eu não nutrisse um carinho pela antiga da cidade da maçã, eu nem consideraria ela minha cidade natal (visto que nasci em Curitiba); porque, afinal, home is where the heart is.
Eu odeio tanto Guarapuava que quase chego a amá-la; o problema é que ela não me dá orgulho, entende? E ter orgulho das coisas é de extrema importância pra mim.
Espero, do fundo do meu coraçãozinho vermelho e pulsante e meio seco, um dia poder dizer com a boca cheia e quase babando que sim, sou de Guarapuava.

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2001

depois de
distantes halloweens
infantis
(dos cursinhos de
inglês)

voltas da escola
presbiteriana
controles de videogame
caseiros
vieram as mãozinhas
entrelaçadas
os dedos
limpando os olhos
a respiração
ofegante e
cá estamos
amantes
de três semanas

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Pois é

Não adianta tentar porque meu cérebro não vai ceder.
Preciso ter o coraçãozinho partido brutalmente para poder usar as palavras de novo.

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