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Archive for maio \31\UTC 2012

O caso Marnie

“Girls”, da HBO, tem sido minha série preferida atualmente (mas ficando razoavelmente atrás de “Mad Men” e “Família Soprano” na pontuação geral). As personagens femininas são um tanto caricatas e adoro todas, com exceção de Marnie (a melhor amiga da protagonista, Hannah), que surpreendentemente (ou não) é a mais real delas.
Todas já fomos um pouco Marnie e temos (ou já tivemos) amigas como ela. Marnie é egoísta – e acha que os outros é que são. Marnie namora há anos e só foi conhecer o apartamento do namorado no dia em que terminou com ele. Marnie critica o caso da amiga sem sequer conhecê-lo e fica apavorada ao ver o ex (que ela, dava a entender, não suportava) com uma namorada nova – mas concordamos que ele poderia ter esperado um pouco mais, mesmo que Marnie fosse fazer o mesmo caso tivesse encontrado alguém interessante o suficiente.
Essa minha antipatia com a personagem me fez ficar pensando nas relações entre mulheres. Porque ao mesmo tempo em que às vezes criticamos nossas amigas por elas (também) acharem que o mundo gira em torno delas, queremos que elas cheguem seguras em casa, que arrumem um emprego & um namorado que lhes dê o valor que merecem.
Muitos apostam que Marnie será a próxima personagem da série a ser analisada com (uma sutil) profundidade. Eu, como mulher que não admite seus defeitos (aliás, admito, mas que ninguém venha apontá-los em meu nariz), vou acompanhar, fingindo que não sou um tanto Marnie e que vou tentar entender só as moças ao meu redor.
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Ontem fui ao show do Los Hermanos no festival Lupaluna e é claro que me estressei. Apesar de amar a banda e ter esperado quase seis anos para ir a um concerto deles de novo, não consigo não me irritar em festivais. Sempre acabo relevando, porque se vou a um show desse tipo é porque realmente gosto da(s) banda(s), mas ontem isso ficou complicado em alguns momentos.
Mais do que aglomeração, mais do que gente se apoiando no meu ombro, mais do que encoxadas indesejadas, quem me conhece sabe que odeio pessoas que não sabem o que estão falando.
Ouvi muita porcaria na noite de ontem, mas duas foram campeãs e vou transcrevê-las abaixo, junto das respectivas respostas que eu gostaria de ter dado para suas autoras (mentalizem vozes bem irritantes – não para as minhas respostas, claro):
1. Não existe meio fã de Los Hermanos. ou você é fã ou você não é! Não tem outra escolha.
R.: Existe, sim. Conheço várias pessoas que gostam de algumas músicas, que acham a banda simpática e que iriam a um show se o ingresso estivesse a um preço acessível.
2. (cara grita, antes de começar o show, “toca ‘anna julia’!”) Aff, esse cara não sabe que eles nunca tocam “Anna Julia”? Nem adianta pedir; eles detestam.
R.: Minha filha, se você tivesse dado uma olhada nas setlists (?) dessa turnê teria visto que eles estão tocando “Anna Julia”, sim – e me deu vontade de fazer uma espécie de dancinha da vitória na cara da menina quando eles tocaram a música.

 

BÔNUS: na saída do show uma menina insinuou que eu queria furar a vez na fila para pegar a van de volta para o estacionamento. Se isso tivesse ocorrido até um ano e meio atrás, provavelmente eu teria engolido em seco e só ficado me remoendo por dentro. Acontece que agora não consigo mais engolir esse tipo de sapo, não. Soltei um: “queridinha, pode ficar tranquila que não sou o tipo de pessoa que fura fila, tá bom?”
(OK, eu não falei “queridinha”, mas o resto é verdade).
CONFISSÃO: na verdade uma vez eu e uns amigos pagamos R$50,00 (no total) a um porteiro para irmos para o começo da fila do show do Franz Ferdinand. É claro que só fizemos isso porque nosso voo atrasou duas horas e não conseguiríamos entrar a tempo se fôssemos para o fim da fila (aham). Mas isso foi praticamente uma experiência antropológica sobre o jeitinho brasileiro e era o show do Franz Ferdinand, e não uma porcaria de fila para pegar uma van que passava a cada dez minutos.

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O amor está moribundo

Aconteceu uma coisa muito triste em Curitiba na semana que passou. Na realidade, alguma coisa aconteceu, porque, até então, não foi divulgado com cem por cento de certeza o que realmente ocorreu. Fato é que um menino de 18 anos saiu de um bar em Curitiba na madrugada de domingo passado (dia 06 de maio) e alguma coisa aconteceu que o fez ficar seriamente ferido, e ontem precisou ter uma perna amputada. O bar alega que o jovem não tinha r$60,00 para pagar a conta, tentou fugir, um dos seguranças foi atrás, os dois caíram e o menino se machucou. A família & advogado do jovem alegam que ele foi agredido pelos seguranças do estabelecimento, uma vez constatado que ele não teria o dinheiro para pagar a comanda.
Não é preciso dizer que fiquei muito triste com a notícia, né? Primeiramente, óbvio, por encarar o fato de um menino de 18 anos, com aquele clichê de uma-vida-toda-pela-frente, precisar ter uma perna amputada. Segundo porque gosto muito do bar onde tudo ocorreu. Foi, por um bom tempo, o melhor bar de Curitiba pra mim – e ainda por cima foi onde conheci o amor da minha vida.
Não quero entrar no mérito de quem tem razão, até porque não posso afirmar concretamente o que ocorreu. O que posso afirmar em concreto foi o que vi, e somente isso. Ontem, ao ler no site de um jornal paranaense a notícia a respeito da amputação, minha reação imediata foi entrar no perfil do estabelecimento no Facebook (olha como as redes sociais acabam movendo nossas vidas) e ver se havia algum pronunciamento a respeito do caso. Encontrei vários comentários de clientes, assim como eu, indignados e querendo saber se aquilo era mesmo verdade, como se não quisessem acreditar. Hoje, ao retornar à página para verificar se havia alguma resposta oficial, para a minha surpresa (ou não), os comentários a respeito do ocorrido tinham sido apagados. Não todos. Um comentário mantido chamou a minha atenção. Era o de uma menina que defendia a inocência do bar, seguido de comentários irônicos a respeito da necessidade de amputação da perna do menino (que se concretizou) e de que ele teria “aprendido uma lição”. Se o bar tanto afirma não ter culpa, qual era o problema em responder aos comentários? Qual também era o problema em entrar em contato com a família do menino para se informar sobre a situação deste (coisa que o bar não fez, confirmada pelo advogado do estabelecimento nessa matéria aqui, que disse que a ajuda seria prestada depois, através dos meios legais)? Antes de tentar preservar a imagem do local, visto que, independente de culpa ou não, tudo aconteceu em suas dependências, o caso envolve uma brusca mudança na vida de uma pessoa muito, muito nova, e um pouco de solidariedade nunca é demais – com o perdão do discurso de Madre Teresa de Calcutá.

UPDATE: Não encontrei mesmo no perfil do Facebook do bar as mensagens que vi ontem, depois da notícia da amputação. O que ainda estão lá são comentários do começo da semana passada, sendo que o estabelecimento respondeu a apenas um deles com o link de uma foto do mural, na qual há a informação de que em breve um comunicado oficial será divulgado – o que ainda não ocorreu.
UPDATE 2: A conta do menino foi de r$60,00 e ele tinha apenas r$40,00 em dinheiro para pagar a comanda. A confusão se deu, na realidade, por causa de r$20,00.

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Sede

o copo cheio de água
com gás
sua
mas não mais que
minhas mãos
magras
pálidas
ao toque
das suas

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