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Archive for the ‘amor’ Category

Dor de amor

Deitados à noite você vem, de mansinho, me abraçar. Me viro para poder beijar suas bochechas e milhões de fios de cabelo de minha cabeça ficam presos embaixo de seu ombro esquerdo. Tento me soltar. Alguns voam para a sua boca e sinto o bulbo de muitos outros se despedindo do meu couro cabeludo. Dói. Eu me irrito, você se irrita. Tento fazer carinho em suas pernas com meus pés. O número 37 com as unhas por cortar arranca a casca cor de esmalte rebu, resultado do futebol de sábado de manhã. Dói. Sangra. Eu me irrito, você se irrita. Decidimos dormir separados. Distância. Eu me irrito, você se irrita.
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Cem anos sem solidão

Uma experiência que vivi apenas uma vez: não conseguir dormir à noite. Claro que já tive noites muito mal dormidas e horas rolando na cama até conseguir pegar no sono, mas passar a madrugada acordada por não conseguir dormir foi apenas uma vez.
Eu tinha uns 14 anos e estava no litoral catarinense, no mesmo lugar em que estou agora. Uma amiga da família estava hospedada no apartamento dos meus pais e coube a mim a tarefa de dividir o quarto com ela. O problema é que ela roncava muito. Alto. Uma noite, depois de umas duas horas (que pareceram a eternidade) de demonstração sonora alheia de sono pesado, entreguei-me por bem e deixei o quarto.
Mais pessoas estavam hospedadas no apartamento e eu já havia ficado sozinha várias vezes em minha casa no Paraná, mas estar acordada de madrugada me deu uma sensação de liberdade que eu nunca tinha experimentado antes. Talvez porque nas vezes em que fiquei sozinha ou saí com meus amigos eu tinha sempre a impressão de que minha mãe estava me vigiando e eu não conseguia relaxar, mas estar acordada de madrugada, parecendo que os adultos só iam despertar de manhã, me fez sentir extremamente “quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”, uma coisa quase de conto de fadas.
É claro que não fiz nada de mais; não tomei nenhum porre ou assisti a algum filme proibido. Gastei o tempo com pequenos prazeres. Depilei minhas pernas no chão do banheiro, tomei um litro de achocolatado (cresci morando em prédio, pessoal), assisti a compactos que a Redetv! exibia de madrugada de seus programas e teria feito as unhas se na época eu já soubesse fazê-las. Às 6h, dormi com a cara afundada no sofá.
Foi divertido passar um tempo comigo mesma, mas porque eu sabia que aquela madrugada não seria pra sempre.

*

Lembrei-me dessa noite ao tentar resumir o ano que acabou anteontem. 2011 não foi um ano de muitos aprendizados, mas de certezas. Se em 2004 eu almejava uma liberdade mas tinha um pé atrás com a solidão, sete anos depois eu fui ter certeza que tenho pavor de ficar sozinha. Não estou falando daquela solidão poética, de ficar sem amor – esse tipo de solidão todos temem, creio eu – mas sim de ficar sozinha em sentido literal.
Em 2011 fui obrigada a ficar sozinha durante muitos dias, ora pelo meu namorado, que durante ano passado teve um horário de trabalho tenebroso, ora pelo meu irmão, perseguindo o sonho de ser médico – e ora pelos dois, obviamente. Por conta disso, vários dias foram passados em preto e branco.
Claro que o ano não foi em vão e novos caminhos começaram a se traçar, por meu amor & eu, motivados por esse medo da solidão e pela vontade de ficarmos juntos por anos & anos & anos – outra certeza que o ano que passou me trouxe.
Então, apesar do início chuvoso, desejo que 2012 tenha muitos dias de sol e que os frutos sejam coloridos e doces. Feliz ano novo. 🙂

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La mia piccola nuvola

1999

Você foi a melhor companheira que a nossa família poderia ter tido. Sim, só nossa família, porque você era igualzinha a mim, e eu não sou a melhor amiga para qualquer pessoa – muito pelo contrário.
Eu fiquei doente pra ter você (acho que você cansou de ouvir isso). Quase fui internada porque queria um cachorrinho. Aí você veio, do tamanho de um ratinho, no estacionamento do McDonald’s de São José dos Pinhais. Desculpe-me pela escolha do seu nome, mas é que eu realmente gostava das Chiquititas naquela época – era o nome de uma delas ou de alguma das Spice Girls. Pelo menos eu dei uma afrancesada na grafia, né? Millie.
E é incrível como você era parecida comigo. Arisca, tinha fobia de estranhos, mas era extremamente doce quando conhecia melhor alguém. E foi o pulmão que te levou, que é o que provavelmente vai me levar também.
Como é que eu vou viver sem você agora, hein, Millie? Sem seu cheiro de banho tomado e seu fedorzinho no verão… Ou com meus pais aqui sem você estar junto, indo perto da escada pra gente ter que gritar “saia daí, sua idiota, ou você vai cair”?
Obrigada por ter sido a melhor cachorra pra mim. Obrigada pelas tigelas de morango compartilhadas, por ter recepcionado bem minha irmã quando ela nasceu, por não ter mordido o Maurício, pelas lambidas em minhas lágrimas, pelos latidos quando eu estava chegando em casa. Você pode não ser sido a cadela mais inteligente ou mais bonita, mas foi minha – e você sabe que eu vou te amar pra sempre.

24/11/1998 :: 13/05/2011

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Você sabe que está com o amor da sua vida quando ele aparece na sua casa em uma segunda-feira, às 21h, dizendo que “esqueceu uma coisa” (abraços e beijinhos).

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11.11.2009

intro. love is all around – the troggs
01. an eluardian instance – of montreal
02. missing pieces – voxtrot
03. think i wanna die – someone still loves you boris yeltsin
04. jezebel – iron & wine
05. the start of something – voxtrot
06. star eyes – danger mouse and sparklehorse
07. disco 2000 – pulp
08. gold soundz – pavement
09. time – supergrass
10. don’t worry baby – beach boys
11. the group who couldn’t say – grandaddy
12. the warmest part of winter – voxtrot
13. carrot rope – pavement
14. this guy’s in love with you – oasis
15. your legs grow – nada surf
16. the boring life – the sly caps

feliz um ano de namoro, meu amor. 🙂

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Ano Um

Setembro do ano passado foi nublado, mas me trouxe o amor.
E veio bem numa época em que eu ‘tava querendo ser de ninguém, e acho que você também, e demorou pra gente se amarrar.
Fiquei com medo que você fosse ser só alguém de quem eu ia achar que gostei e acabei deixando sumir, e até pensei que isso seria o melhor, mas confesso que no dia em que a gente foi ao cinema pra ver “Up” e vieram aquelas cenas do casal Fredricksen, eu imaginei como seria ter uns 60 anos de vida pela frente pra te conhecer. Que louca, querendo passar o resto da vida com alguém que mal conhece. Mas foi involuntário; veio do coração.
E o amor não veio tranqüilo, não. Veio arrebentando. Veio me dando vontade de chorar a toda hora e me fazendo rezar pra não ter nada parecido com Frida Kahlo e Diego Rivera.
Mas quando foi correspondido, foi calmo, e bem no dia do meu aniversário. Naquela noite em que eu não quis te soltar e acho que você também não quis me soltar. Quando você me levou embora nas costas, no final da madrugada, me deixando sorrir feito idiota por ter limpado sua boca suja de um sanduíche do Subway um pouco antes.
E olha aonde a gente chegou, dividindo a cama quase todas as noites, as escovas de dente lado a lado num copo na minha pia e até cueca sua tem na minha gaveta dos pijamas. E eu sei que isso pode parecer clichê e tranqüilo (uma vez você me disse que todas as cartas de amor têm a palavra “clichê” no meio), mas meu coração ainda dança louco quando eu sei que vou te ver e minhas mãos suam quando ouço o elevador subindo, igualzinho àquela vez em que você foi à minha casa velha pra gente assistir àquele filme do Paul Rudd que eu nem lembro o nome. Acho que a gente precisa locar esse filme de novo.

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Para Maurício

A gente sabe quando é pra sempre.
Não vou vir com aquelas baboseiras de “demorei pra perceber que gostava de você” porque eu gostei de você desde o começo e você sabe. A verdade é que não teria como a gente não se gostar.
Não, essa não é mais uma das da minha companheira falta de modéstia; é só que você sabe que ia ser assim. Que depois que você pegou na minha mão a primeira vez e eu disse o quanto elas eram macias eu senti uma coisa engraçada. Não foi porque eu tinha bebido incontáveis dry martinis (?) naquela noite ou dado risada com você um pouco antes, ao comentar do “Superbad” e do McLovin. Foi porque eu não esperava, e te encontrei.  E foi “puxa, quero ser amiga dele”, e junto veio aquela vontade de saber toda a sua vida em cinco minutos.
E que por mais que isso seja clichê e, cara, que experiência de vida eu tenho?, eu não ia conseguir encontrar alguém que se encaixasse nas minhas exigências (oh!) como você – e eu digo física & psicologicamente.  
Porque eu sinto um carinho imenso, uma vontade de descobrir as coisas contigo, um querer te cuidar, orgulho de quem sou quando ‘tou junto de você.
Um tempo atrás escrevi aqui sobre uma vontade de “estar junto não porque é necessário, mas pura e simplesmente pela vontade de estar “, mas agora é necessário. Você é parte de mim. A parte mais bonita de mim. Eu sei. Você sabe.

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