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Archive for the ‘divagações’ Category

Cem anos sem solidão

Uma experiência que vivi apenas uma vez: não conseguir dormir à noite. Claro que já tive noites muito mal dormidas e horas rolando na cama até conseguir pegar no sono, mas passar a madrugada acordada por não conseguir dormir foi apenas uma vez.
Eu tinha uns 14 anos e estava no litoral catarinense, no mesmo lugar em que estou agora. Uma amiga da família estava hospedada no apartamento dos meus pais e coube a mim a tarefa de dividir o quarto com ela. O problema é que ela roncava muito. Alto. Uma noite, depois de umas duas horas (que pareceram a eternidade) de demonstração sonora alheia de sono pesado, entreguei-me por bem e deixei o quarto.
Mais pessoas estavam hospedadas no apartamento e eu já havia ficado sozinha várias vezes em minha casa no Paraná, mas estar acordada de madrugada me deu uma sensação de liberdade que eu nunca tinha experimentado antes. Talvez porque nas vezes em que fiquei sozinha ou saí com meus amigos eu tinha sempre a impressão de que minha mãe estava me vigiando e eu não conseguia relaxar, mas estar acordada de madrugada, parecendo que os adultos só iam despertar de manhã, me fez sentir extremamente “quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”, uma coisa quase de conto de fadas.
É claro que não fiz nada de mais; não tomei nenhum porre ou assisti a algum filme proibido. Gastei o tempo com pequenos prazeres. Depilei minhas pernas no chão do banheiro, tomei um litro de achocolatado (cresci morando em prédio, pessoal), assisti a compactos que a Redetv! exibia de madrugada de seus programas e teria feito as unhas se na época eu já soubesse fazê-las. Às 6h, dormi com a cara afundada no sofá.
Foi divertido passar um tempo comigo mesma, mas porque eu sabia que aquela madrugada não seria pra sempre.

*

Lembrei-me dessa noite ao tentar resumir o ano que acabou anteontem. 2011 não foi um ano de muitos aprendizados, mas de certezas. Se em 2004 eu almejava uma liberdade mas tinha um pé atrás com a solidão, sete anos depois eu fui ter certeza que tenho pavor de ficar sozinha. Não estou falando daquela solidão poética, de ficar sem amor – esse tipo de solidão todos temem, creio eu – mas sim de ficar sozinha em sentido literal.
Em 2011 fui obrigada a ficar sozinha durante muitos dias, ora pelo meu namorado, que durante ano passado teve um horário de trabalho tenebroso, ora pelo meu irmão, perseguindo o sonho de ser médico – e ora pelos dois, obviamente. Por conta disso, vários dias foram passados em preto e branco.
Claro que o ano não foi em vão e novos caminhos começaram a se traçar, por meu amor & eu, motivados por esse medo da solidão e pela vontade de ficarmos juntos por anos & anos & anos – outra certeza que o ano que passou me trouxe.
Então, apesar do início chuvoso, desejo que 2012 tenha muitos dias de sol e que os frutos sejam coloridos e doces. Feliz ano novo. 🙂

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confeitaria

quero sonhos doces & fritos, grandes, lindos, que durem mais que a madrugada.

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Themis cinematográfica

Odeio injustiça. Eu poderia até tentar justificar essa aversão dizendo que, além de libriana, sou estudante de Direito, mas, né, tem aluno da minha faculdade que nem deve saber quem é Carlos Ayres Britto, então acho que é algo da minha natureza mesmo.
Um tempo atrás assisti ao trailer de um novo seriado que terá a Zooey Deschanel como protagonista e… BUM!…Percebi que as pessoas mais injustiçadas do mundo são Michael Cera e Jesse Eisenberg. Ahn? Explico.
Ninguém agüenta mais Michael Cera e Jesse Eisenberg fazendo os “mesmos” papéis, e isso vira piadinha até no The Office. Aí que eu estava vendo a prévia de New Girl e pensei “meu deus, a Zooey também interpreta papéis sempre iguais!”.
OK que as personagens não são idênticas, que uma hora é ela quem parte um coração e em outra é ela quem tem o coração partido, mas no geral são sempre mulheres de 20 e poucos anos (a atriz já está na casa dos 30 *Malhação com Henri Castelli no elenco feelings*), descoladinhas, que usam FRANJA e LACINHO na cabeça, que cantam, que têm sempre uma respostinha ácida na ponta da língua, etc e tal. Daí você resolve entrar no Omelete e lê que o novo seriado de miss Deschanel parece “valer a pena”. OI?
Não me levem a mal. Eu gosto da Zooey. Gosto de todos os filmes que vi que têm ela no elenco, sou fã do ex-namorado e o marido é vocalista de uma das bandas que mais amo nessa vida. Acontece é que essa série nova estrelada por ela realmente parece fraquinha, e por que tanta babação de ovo em cima de maaaais uma personagem da mulher do Ben Gibbard? Porque ela é linda, oras! É claro que deduzo isso de uma opinião geral (a minha aqui inclusa). Evidências:
  • Zooey Deschanel é linda: a lista de meninas que a colocam como “pessoa inspiradora” no Facebook é imensa. Grande também é a lista de homens que torcem por um, digamos, filme adulto dela com a Katy Perry.
  • Michael Cera e Jesse Eisenberg são feios: (lembrando que isso é deduzido a partir de uma visão geral, já que tenho uma amiga apaixonada pelo Paulie Bleeker – beijo, Lê! -, e todos dizem que ele deve ser um irmão perdido do meu namorado) um “que horrível!” foi gritado na hora de um close na cara do George-Michael Bluth durante uma sessão de “Scott Pilgrim VS. The World” e “baixinho” e “judeu” e “judeu baixinho” (como se ser judeu fosse algum defeito ou qualidade) são palavras usadas frequentemente como referência ao intérprete de Mark Zuckerberg ao invés de…”galã”.
Então, pessoal, por favor, vâmo aê zoar Zooey (he-he) também, ou deixar em paz essas outras duas não-tão-pobres criaturinhas que estrelam filmes que estão na minha lista de preferidos. Fazer personagens característicos não é de todo ruim, vejam a Tina Fey. Porém, se o leitor for Matthew Mcconaughey… Sinto muito, você não tem salvação.

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mentira (des)lavada

ao contrário do que pode parecer óbvio, o rosto fica áspero após o choro. dizer que lágrimas são delicadas é, ah, a maior enganação dessa vida. elas são pequenas, mas cortam e têm sal. o rosto arde e não cicatriza nunca. por que choras? porque sou sozinha nessa ilha de sujeira. porque sou fraca. porque dói. as pálpebras viram almofadinhas, mas cada piscada dá a sensação de se estar com os olhos em carne viva. sensação de que nunca mais vou conseguir sorrir, mesmo que me joguem em cima de margaridas.

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Não há lugar como nossa casa?

Faz uns seis meses que me mudei do centro para o bairro mais nobre de Curitiba e isso ilustra bem aquele clichê de que nunca estaremos completamente satisfeitos com as coisinhas dessa vida.
Aguardei quase um ano e meio por essa mudança (o apartamento foi comprado quando o prédio ainda estava sendo construído) e, acredite, foi muito tempo. O prédio em que eu morava antes tinha vários problemas, tipo água faltando quase semanalmente, (a maioria dos) apartamentos sem garagem, descargas vizinhas estourando e molhando até minha sala de estar, ladrões em alguns apartamentos, etc. Aí me mudei para um apartamento lindo, grande, num bairro bonito e qual é a minha surpresa? Às vezes sinto saudades do apartamento do centro, com garotos de programa e usuários de crack na esquina.
Resolvi listar alguns dos motivos que me levam a essa possível loucura:
• Apesar d’a região não ser lá muito bem freqüentada à noite (o prédio fica entre as praças Osório e Rui Barbosa, pra vocês, moscas que lêem o meu blog, localizarem-se), o lugar em que eu morava tinha suas vantagens, como eu precisar andar apenas uns cem metros pra pegar ônibus pra ir pra faculdade (ando umas boas quadras agora), lojinhas populares de cosmético na mesma quadra (sou fútil sem muito dinheiro), restaurantes baratinhos & bons na área comercial do prédio, dentre outros motivos.
• (embora esse tópico também seja sobre localização, ele é mais importante dos que os outros) Consegui um estágio no jurídico da Caixa Econômica Federal e adivinhem só aonde o prédio deles fica. Sim, a uma quadra de onde eu morava antes. O lugar onde moro agora não é longe, mas fica naquela localização irritante de não-tão-perto-mas-não-tão-longe-para-ir-de-ônibus.
• (esse tópico vai parecer meio babaca, mas é a realidade) Mesmo que fosse meio mal frequentada, eu me sentia bem mais segura quando saía a pé pela região do meu antigo apartamento; eu me misturava com o povão e pronto (gente, lembrem que eu morei dezessete anos da minha vida no interior e sou medrosa bagarai). Como é tido como nobre (juro que não fui eu quem dei esse “apelido”), o lugar em que moro agora é muito mais visado pelos amigos trombadinhas – não sei qual é a lógica deles, visto que eu (e acho que a maioria dos meus vizinhos) não sai com mil reais dentro da bolsa.
Eu ia adicionar mais um tópico, dizendo que também sinto falta da minha outra casinha porque tive muitos momentos felizes lá, como o início do meu namoro, mas percebi que isso não tem a ver com o lugar e sim com as pessoas que convivem comigo. Sendo assim, acho que vou continuar tendo momentos felizes por muito tempo ainda.

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Marinheiro

Se 2008 foi o ano da solidão e 2009 foi o ano das surpresas, 2010 foi o ano de firmar laços.
Demorou pra passar esse ano, viu? Mas, agora que passou, fico feliz em olhar pra trás e ver que, embora quase ninguém tenha chegado, quem já estava não passou perto de sair.
Estou lendo “Paris é uma festa”, do Hemingway, e em várias passagens do livro ele comenta que as pessoas são limitadoras de felicidade (até comentei isso no meu twitter ontem). Sempre levei isso meio que como uma filosofia de vida (mesmo lendo esse livro somente aos 20 anos), porque já dei muito murro em ponta de faca em relacionamentos, mas, depois dos últimos dois anos, vi como as pessoas podem, também, ser responsáveis por felicidade. Percebi que não é fraqueza esperar amor e aprovação dos outros, e também demonstrar amor e admiração.
Então, que em 2011 os laços virem nós. Cheers!

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Sobre conhecer & desconhecer

Quando eu tinha uns doze anos, meu melhor amigo era meu vizinho. Meu vizinho tinha um amigo. Eles tinham um amigo virtual (termo brega) que morava no Rio. Eu conversava com todos. Um dia, esse amigo virtual me mandou “Mr. Writer” (que era do cd mais recente do Stereophonics na época) e a música virou a minha preferida (por alguns meses); acho que eu nunca tinha ouvido falar na banda.
Ontem tocou Stereophonics no rádio e me lembrei disso agora pouco. Eu nem lembro do nome do menino que me apresentou eles e isso me fez pensar na quantidade de pessoas que tiveram uma certa relevância na nossa vida (não que Stereophonics seja minha banda preferida) e que a gente simplesmente deixa sumir; não sabe se vive, se morreu, se terminou a escola, se casou, se teve filhos. Claro que de algumas quero distância, mas às vezes me pego pensando em como seria ter continuado com a amizade que já tive com algumas pessoas que me foram muito queridas.
Também fico pensando nas oportunidades em que deixamos de conhecer alguém. Hoje mesmo, por exemplo, fui fazer as unhas (da mão & do pé) e tive a companhia de duas manicures durante quase uma hora. Não perguntei o nome de nenhuma delas. E não foi por maldade, mas é que já estou tão acomodada no meu mundinho que nem penso em deixar mais gente entrar. Talvez seja bom sair um pouco do casulo.

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