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Archive for the ‘fotos’ Category

Tesouro familiar

Até 2003/2004, época do boom das câmeras fotográficas digitais, fotos reveladas eram coisa constante em minha casa. Meu pai sempre teve parentes morando no Japão, então pra nós não era tão caro ter aparelhos de fotografia bons, e qualquer eventinho merecia fotos.
Pra mim, mais divertido do que rever fotos da minha infância, era olhar fotos antigas da minha família, de quando eu ainda não existia. Três semanas atrás, quando fui pra Guarapuava pela última vez, enquanto tentávamos encontrar uma foto ridícula minha e dos meus irmãos (isso pode ser assunto para outro post), minha mãe “desenterrou” do fundo da estante uma caixa que não lembrávamos o que continha. Foi uma grata surpresa constatar que a caixa estava repleta de fotos da juventude dos meus pais, nos anos 80, recheadas de personagens com cabelos escovados de forma extravagante e com roupas que eu gostaria de ter.
Apesar de na caixa haver fotos dos mais variados eventos, de uma prima da família Balan secando os cabelos com um secador que mais parecia uma câmera Super-8 ao after party do casamento de meus pais, as fotos que mais chamaram a minha atenção foram de uma festinha realizada no quarto em que meu pai morava na Casa do Estudante Universitário quando cursava o ensino superior em Curitiba.










Aos olhos dos outros as fotos podem não ter nada de extraordinário, mas para mim elas significam muitas coisas. As fotos são de novembro de 1984, então meus pais eram só um pouco mais novos do que sou hoje, e é muito bom ficar imaginando o que eles faziam, o que estavam ouvindo, como era o começo do namoro deles. Pelos semblantes, apesar dos perrengues que eles tanto relatam, parece que as coisas iam bem. Eram felizes, e me fazem feliz.
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Always love

Queria aqui deixar registrado o meu agradecimento para todos os seres cósmicos (?) que têm proporcionado as coisas boas que vêm acontecendo na minha vida. Eles sabem que não preciso de um milhão de amigos ou de reais pra me sentir completa (embora dinheiro seja bem vindo pra qualquer pessoa normal).
Por mais chata e crítica que eu seja, no fundo, como já andei dizendo por aí, somos todos uns carentes & egoístas, e amor nunca é demais (por mais brega que isso possa soar). 
É muito bom se sentir querida.
Obrigadinha.

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Bittersweet home

Ontem postei um tweet falando que não gostava de Guarapuava e que algumas pessoas me consideravam babaca por isso. Motivada pela curiosidade de alguns e pelo tempinho que não postava aqui, resolvi contar o porquê dessa relação de amor e ódio.
Guarapuava é uma cidade no centro-oeste do Paraná, que possui cerca de 180.000 habitantes, um prefeito pai do deputado que matou dois em Curitiba e onde venta feito o diabo.
Apesar da quantidade até altinha de habitantes, Guarapuava é uma cidade pobre, o que faz com que o número de pessoas que “preenchem” as classes média e alta seja pequeno, então quase todos se conhecem (cheguei à essa conclusão com uma amiga dia desses). Minha família, felizmente (ou não), faz parte desse grupo de pessoas e, embora não sejamos tradicionais daqui nem nada (meu pai é de Londrina e maman é de Irati), até que meus pais são conhecidinhos.
Essa última informação somada com o fato de que todos se preocupam com a vida de todos por aqui (da pior maneira possível, claro) me levou a sempre fazer as coisas quase sempre com o cu na mão e com medo de que meus pais ficassem sabendo (o que aconteceu algumas vezes). Felizmente nunca precisei fazer muuuuuita coisa escondida deles, mas tive vários amigo(a)s que tomaram no cu bonito por isso (sendo que quase sempre a situação não era pra tanto).
Guarapuava é uma cidade de aparências. As pessoas vivem competindo (veja bem, eu estou falando do pessoal da “society”) pra ver quem é mais influente, quem tem o melhor carro, quem usa as melhores roupas, quem namora os caras mais ricos (nossa, se for alguém da colônia dos alemães então…) e por aí vai.
Além do mais, não há o que se fazer em Guarapuava. Se você não se importa de ir sempre aos mesmos lugares e ver sempre as mesmas caras, ótimo – eu me importo.
Outra coisa que me emputece é que a cidade tem tudo pra crescer (boa localização, gente precisando de emprego, universidade estadual etc), mas não cresce. A política por aqui é uma bosta.
Foi em Guarapuava que eu criei meus traumas, que conheci gente ruim pra mim (ruim de verdade), que eu sempre vi alguém tentando puxar o tapete dos meus pais (da minha mãe principalmente). Aqui eu conheci a falsidade na raiz. Também sofri por (tentar) ser autêntica, conhecendo desde pessoas que me julgavam muito mal a pessoas que tentavam me copiar a todo custo.
Claro que nem tudo é merda e eu passei bons momentos nessa cidadezinha gelada. Tive bons (nem todos) namorados, amigos, uma infância feliz. Foi aqui que meus pais fizeram a vida, onde eles continuam e, olhe, se eu não nutrisse um carinho pela antiga da cidade da maçã, eu nem consideraria ela minha cidade natal (visto que nasci em Curitiba); porque, afinal, home is where the heart is.
Eu odeio tanto Guarapuava que quase chego a amá-la; o problema é que ela não me dá orgulho, entende? E ter orgulho das coisas é de extrema importância pra mim.
Espero, do fundo do meu coraçãozinho vermelho e pulsante e meio seco, um dia poder dizer com a boca cheia e quase babando que sim, sou de Guarapuava.

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“I live in a town
Where you can’t smell a thing
You watch your feet
For cracks in the pavement
(…)
I wish that they’d swoop down in a country lane
Late at night when I’m driving
Take me on board their beautiful ship
Show me the world as I’d love to see it”

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