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Archive for the ‘historinhas’ Category

Fomos até um quiosque perto de casa hoje à tarde. Eu queria comer um krep’s (como anunciava a plaquinha) de Batom. Alguém tem vontade de comer esse tipo de coisa quando não está na praia? Apesar do vento forte, o cheiro de fritura invade o lugar. Não aceito pagar R$6,00 na guloseima, mas como não quero perder a viagem, peço um churros de leite condensado, que custa R$3,00 a menos.

Enquanto espero o doce gorduroso, após receber uma ficha feita de EVA que formaliza minha compra, entregue a mim por um garotinho muito simpático, que ajuda a mãe no balcão abaixo do escrito CAIXA (não há nenhuma divisória visível) e se parece com ator Josh Hutcherson no filme “ABC do Amor”, vejo uma menina de uns 14 anos e gravidez avançada jogando cartas em uma mesinha ao lado, semicoberta por um biquíni da Capricho. Não sei o que sentir. Tento pensar como uma mãe, tento pensar como uma amiga, tento pensar como a garota. Ela parece feliz. Cubro meu churro com confeitos cor-de-rosa, espero quem me acompanha e vamos embora.

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A vida em cores

O apartamento era pequeno e Catarina achou charmoso – só ficou com medo que o amor vazasse pelas janelas.

Passava futebol na televisão e ela não entendia, mas gostava de ver. Achava engraçado.
Olhou para a sapatilha e desejou ter colocado um salto alto. Não sabia andar direito, mas achou que teria parecido mais mulher. As mulheres do cinema ficam incrivelmente belas e altas.
Pediram uma pizza de frango. Catarina sentiu um pouco de dó do bicho e achou melhor imaginar que era uma pizza de florzinhas.
Pizza dividida, mãozinhas dadas, beijos. Beijos. Beijos. Doces. Mais beijos. Ela ainda estava um pouco menstruada, então fizeram sexo em cima de uma camiseta do Radiohead.

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Com olhos de louca e a cabeça quase sempre pesada, Catarina anda se perguntando se esse planeta não é um erro.
As calcinhas na torneira do chuveiro já são quatro e a areia da caixa da gatinha é a mesma já faz uns bons seis dias, mas a mulherzinha dá de ombros.
Os dias têm sido de nuvens e aguaceira, e noite passada Catarina acordou achando que tinha dormido até seis da tarde quando, na realidade, dormira apenas umas cinco horas. Levantou, calçou os chinelos de coelhinho e foi fazer um chá.
Enquanto a água não esquentava, Catarina foi ver o mundo da imensa janela da sua sala. Uma mulher e seu bebê dormiam cobertos por um papelão, uma menina (no máximo treze anos) muito maquiada cambaleava em um salto 15 e, depois de um susto enorme de todos por conta do barulho, vê-se que um cachorro foi atropelado e teve duas perninhas esmagadas, mas o motorista nada fez.
Catarina decidiu ir embora para Saturno. A idéia de morar em um planeta cercado por bambolês e com mais de uma dúzia de luas parecia muito bonita.

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Bandidagem

– Ah, eu te amo querido!
– Linda.

Ela ama. Passa o café, lava as cuecas, cozinha, faz massagem. É Amélia.
Ele gosta.

– Hoje vou te fazer uma janta.
– Não, hoje vou no churrasco do Tiago.
– Ahhhhh, môr.
– Pô, não faz essa carinha, não. Perco o tesão de sair daí.
– Mas é que eu queria que você ficasse comigo…
– Ô, neguinha. A hora que eu chegar fico.
– …
– Ah, num chora. Você sendo egoísta. Se continuar assim…
– Tudo bem, tudo bem. Só não chega muito tarde.
– Minha carona chegou. *beijinho*
– Eu te amo!

Ela chora.

“Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
(…)”

[Tom Jobim/Chico Buarque]

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Enjôo

– Que ódio, mãe! A Paulinha passou no vestibular, e eu não.
– Oh, amorzinho, não fique triste. Tenho certeza que ela se veste mal.

Como algumas pessoas podem ser tão fúteis, e o pior, incentivadas pelos próprios pais?
Não sei se fico triste ou revoltada.

Se nossas próprias vidas não tivessem cortes e edição, o diálogo teria que ser mais ou menos assim:

– Que ódio, mãe! A Paulinha passou no vestibular, e eu não. Tá certo que ela estudava 5 horas por dia, e abria mão das festas. Enquanto eu já tô repetindo o cursinho e mato aula pra ir ao shopping, além de não perder um pagodinho no final de semana!
– Oh, amorzinho, não fique triste. Tenho certeza que ela se veste mal. E no fundo, você sabe que mamãe prefere que você sempre esteja com roupinha de marca e namore um cara rico, ao invés de entrar em uma boa faculdade de engenharia, né?

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Longitude

Catarina era uma menina engraçada. Não gostava de ser Catarina, nem de Aragão, nem de nada. Queria é ser Julia, de Lennon e McCartney.
Fazia cara feia pra tudo.
Não gostava de coisas que sequer conhecia.
Não sabia dirigir.
Dizia que conhecia o mundo, mas nunca passou de Greenwich.

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Insanidade noturna

_ Cara, você tem que se ligar com que tipo de mulher tá se metendo!
_ Tá, tá.
_ Não! Tô falando sério. Dizem que ilude muito o coitado, rouba dinheiro, se o cara é casado, destrói a família…se me falassem que chupa sangue do pescoço, ou envenena a moçada, eu não duvidaria.
_ Por favor, cara! Quem te falou esses absurdos? Catarina é divina.
_ Ah, no escritório, no barbeiro…todos dizem que é uma desgraçada.
_ Eu gosto de desgraça.

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