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Archive for the ‘televisão’ Category

O caso Marnie

“Girls”, da HBO, tem sido minha série preferida atualmente (mas ficando razoavelmente atrás de “Mad Men” e “Família Soprano” na pontuação geral). As personagens femininas são um tanto caricatas e adoro todas, com exceção de Marnie (a melhor amiga da protagonista, Hannah), que surpreendentemente (ou não) é a mais real delas.
Todas já fomos um pouco Marnie e temos (ou já tivemos) amigas como ela. Marnie é egoísta – e acha que os outros é que são. Marnie namora há anos e só foi conhecer o apartamento do namorado no dia em que terminou com ele. Marnie critica o caso da amiga sem sequer conhecê-lo e fica apavorada ao ver o ex (que ela, dava a entender, não suportava) com uma namorada nova – mas concordamos que ele poderia ter esperado um pouco mais, mesmo que Marnie fosse fazer o mesmo caso tivesse encontrado alguém interessante o suficiente.
Essa minha antipatia com a personagem me fez ficar pensando nas relações entre mulheres. Porque ao mesmo tempo em que às vezes criticamos nossas amigas por elas (também) acharem que o mundo gira em torno delas, queremos que elas cheguem seguras em casa, que arrumem um emprego & um namorado que lhes dê o valor que merecem.
Muitos apostam que Marnie será a próxima personagem da série a ser analisada com (uma sutil) profundidade. Eu, como mulher que não admite seus defeitos (aliás, admito, mas que ninguém venha apontá-los em meu nariz), vou acompanhar, fingindo que não sou um tanto Marnie e que vou tentar entender só as moças ao meu redor.

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Papai era um cara bem legal (pena que não pode ver mulher – brincadeira).
Até meus onze anos papai seguia um ritual religioso: locadora de filmes todo sábado. TODOS. E papai me levava, e eu gostava. Quando eu era criança papai me dava livros do Fernando Sabino e me contava sobre Hitchcock. Papai lia muita coisa fora da cultura jurídica. Papai jogava “007 Contra Goldeneye” no Nintendo 64 como ninguém.
Um dia papai mudou.
Não tenho certeza se foi o trabalho que consumiu papai e o deixou cada vez mais ocupado (e cansado), mas ele deixou de ir à locadora (para poder ir ao escritório aos sábados), ler livros de fora da cultura jurídica (para poder trabalhar), jogar vídeo-game. Agora papai dorme se tiramos um tempo pra assistir a um Hitchcock.
*
Li muito sobre “Mad Men” desde que a série estreou, em 2007. Um drama da HBO (existe seriado ruim da HBO?), do mesmo criador e escritor dos Sopranos, que tem como foco central uma agência de publicidade de Nova York no começo dos anos 60.
Amigos indicavam, revistas davam cinco estrelinhas e o seriado era premiado.
E eu sempre deixava de lado.
“Preciso ver”, e nunca via.
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Dia desses papai chegou e me disse que tinha assistido à “Mad Men” algumas vezes. E achado bom. Muito bom.
No mesmo dia baixei o piloto da série. E gostei. Gostei muito.
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Se um advogado que trabalha 12 horas por dia e abre mão de dormir um pouquinho quando pode para assistir a um seriado significa que o seriado vale a pena ser visto.
Papai é melhor publicitário que o Don Draper.
Papai chuta sua bunda

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