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Archive for janeiro \02\UTC 2012

Cem anos sem solidão

Uma experiência que vivi apenas uma vez: não conseguir dormir à noite. Claro que já tive noites muito mal dormidas e horas rolando na cama até conseguir pegar no sono, mas passar a madrugada acordada por não conseguir dormir foi apenas uma vez.
Eu tinha uns 14 anos e estava no litoral catarinense, no mesmo lugar em que estou agora. Uma amiga da família estava hospedada no apartamento dos meus pais e coube a mim a tarefa de dividir o quarto com ela. O problema é que ela roncava muito. Alto. Uma noite, depois de umas duas horas (que pareceram a eternidade) de demonstração sonora alheia de sono pesado, entreguei-me por bem e deixei o quarto.
Mais pessoas estavam hospedadas no apartamento e eu já havia ficado sozinha várias vezes em minha casa no Paraná, mas estar acordada de madrugada me deu uma sensação de liberdade que eu nunca tinha experimentado antes. Talvez porque nas vezes em que fiquei sozinha ou saí com meus amigos eu tinha sempre a impressão de que minha mãe estava me vigiando e eu não conseguia relaxar, mas estar acordada de madrugada, parecendo que os adultos só iam despertar de manhã, me fez sentir extremamente “quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”, uma coisa quase de conto de fadas.
É claro que não fiz nada de mais; não tomei nenhum porre ou assisti a algum filme proibido. Gastei o tempo com pequenos prazeres. Depilei minhas pernas no chão do banheiro, tomei um litro de achocolatado (cresci morando em prédio, pessoal), assisti a compactos que a Redetv! exibia de madrugada de seus programas e teria feito as unhas se na época eu já soubesse fazê-las. Às 6h, dormi com a cara afundada no sofá.
Foi divertido passar um tempo comigo mesma, mas porque eu sabia que aquela madrugada não seria pra sempre.

*

Lembrei-me dessa noite ao tentar resumir o ano que acabou anteontem. 2011 não foi um ano de muitos aprendizados, mas de certezas. Se em 2004 eu almejava uma liberdade mas tinha um pé atrás com a solidão, sete anos depois eu fui ter certeza que tenho pavor de ficar sozinha. Não estou falando daquela solidão poética, de ficar sem amor – esse tipo de solidão todos temem, creio eu – mas sim de ficar sozinha em sentido literal.
Em 2011 fui obrigada a ficar sozinha durante muitos dias, ora pelo meu namorado, que durante ano passado teve um horário de trabalho tenebroso, ora pelo meu irmão, perseguindo o sonho de ser médico – e ora pelos dois, obviamente. Por conta disso, vários dias foram passados em preto e branco.
Claro que o ano não foi em vão e novos caminhos começaram a se traçar, por meu amor & eu, motivados por esse medo da solidão e pela vontade de ficarmos juntos por anos & anos & anos – outra certeza que o ano que passou me trouxe.
Então, apesar do início chuvoso, desejo que 2012 tenha muitos dias de sol e que os frutos sejam coloridos e doces. Feliz ano novo. 🙂
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